O Teatro Atheneu, em Aracaju, foi palco de uma noite memorável na abertura do XIX Fórum do Forró, que reuniu políticos, artistas, fãs e admiradores para celebrar a trajetória de Flávio José, um dos maiores ícones da música nordestina. O espaço ficou pequeno diante da multidão que acompanhou cada momento da homenagem ao cantor e sanfoneiro, cuja obra atravessa gerações e mantém viva a tradição do forró.

Durante a cerimônia, Flávio José recebeu o Título de Cidadão Aracajuano, concedido pela Câmara Municipal de Aracaju, em reconhecimento à sua contribuição para a cultura popular e ao vínculo afetivo construído com o público sergipano. A honraria foi acompanhada de aplausos calorosos e emoção visível entre os presentes.

A prefeita Emília Corrêa destacou a relevância do evento para a cidade e ressaltou a importância de valorizar artistas que representam a identidade cultural do Nordeste. Já o secretário municipal de Cultura, Paulo Corrêa, enfatizou o papel de Flávio José na consolidação do forró como patrimônio cultural brasileiro e defendeu a necessidade de ampliar investimentos em iniciativas culturais.

O XIX Fórum do Forró tem impacto direto na vida cultural de Aracaju: além de homenagear ícones como Flávio José, Sergival e Robertinho dos 8 baixos, o evento fortalece o forró como patrimônio cultural, atrai público diverso e integra a programação oficial do Forró Caju, que valoriza artistas sergipanos e amplia o turismo cultural na cidade

O público, formado por diferentes gerações, acompanhou com entusiasmo a apresentação das músicas que marcaram a carreira do artista, transformando o Atheneu em um grande arraial de celebração. O Fórum reafirmou o compromisso da capital sergipana com a preservação e difusão da cultura nordestina, consolidando-se como um dos principais espaços de valorização do forró no país.

A vida e obra de Flávio José

Poucos artistas conseguiram traduzir tão bem a alma nordestina quanto Flávio José, cantor e sanfoneiro paraibano que se tornou referência nacional no forró pé-de-serra. Nascido em Monteiro, no Cariri da Paraíba, em 1951, ele cresceu cercado pela música e desde cedo demonstrou talento para a sanfona, instrumento que se tornaria sua marca registrada.

Infância e primeiros passos

Aos cinco anos, inspirado por Luiz Gonzaga, pediu uma sanfona de 24 baixos e nunca mais largou o instrumento. Ainda criança, formou um trio com os irmãos e começou a se apresentar em festas locais. Essa vivência moldou sua identidade musical e o aproximou das raízes do forró tradicional.

Carreira e sucessos

Flávio José lançou seu primeiro disco em 1977 e, desde então, construiu uma discografia com mais de 20 álbuns. Entre seus maiores sucessos estão Caboclo Sonhador, Tareco e Mariola e Filho do Dono, músicas que se tornaram hinos culturais e atravessam gerações. Suas letras retratam o cotidiano nordestino, com poesia simples e profunda, sempre acompanhadas pelo som marcante da sanfona.

Legado cultural

Reconhecido como o “Rei do Xote”, Flávio José é guardião da tradição do forró pé-de-serra. Sua obra é considerada patrimônio imaterial da cultura nordestina, e ele é reverenciado como o “tenor das caatingas” por sua voz única e interpretação emocionante. Além de preservar o estilo autêntico, o artista critica a comercialização excessiva dos festejos juninos e defende maior valorização dos músicos de raiz.

Por: Joaquim Casaca de Couro (DRT 3080/SE)