Com a proximidade do mês de junho, uma frase começa a ecoar em diferentes cantos do Brasil: “Está chegando a melhor época do ano”. Para muitos, trata-se da expectativa pelos festejos juninos, uma das manifestações culturais mais vibrantes e populares do país.
Tradição e alegria
As ruas ganham cores com bandeirinhas, fogueiras e balões, criando um cenário que mistura religiosidade, cultura e confraternização. Famílias, vizinhos e empresas se reúnem em arraiás que celebram a união e a identidade brasileira.
- Quadrilhas juninas: crianças e adultos ensaiam passos coreografados que contam histórias e divertem plateias.
- Brincadeiras: pescaria, correio elegante e pau de sebo garantem risadas e interação.
- Comidas típicas: milho, pamonha, canjica e quentão aquecem os encontros.
Música e resistência cultural
Apesar da força da tradição, muitos artistas populares enfrentam dificuldades para participar dos eventos. Em diversas cidades, a contratação de grupos de forró pé de serra é substituída por atrações de maior apelo comercial, reforçando uma exclusão que ameaça a essência da festa. Essa prática levanta debates sobre a valorização da cultura local e a necessidade de preservar os ritmos que dão identidade ao período junino.
O que você vai ouvir?
Entre o som das sanfonas, zabumbas e triângulos, ou playlists modernas que dominam os palcos, a pergunta permanece: “Está chegando a melhor época do ano e o que você irá ouvir?” A resposta pode revelar não apenas o gosto musical de cada um, mas também o compromisso coletivo com a preservação de uma das maiores tradições culturais brasileiras.
Nos eventos de fim de ano, muitos contratantes justificam a ausência de artistas de forró com a alegação de que “não é junho”. No aniversário das cidades, a mesma desculpa se repete. Nos eventos públicos, o forró pé de serra acaba relegado ao segundo plano, como se fosse um ritmo sazonal, restrito a um único mês.
E quando finalmente chega junho, período em que o forró deveria ocupar o centro das atenções, muitos artistas são novamente excluídos em nome da chamada “diversidade cultural”. O resultado é paradoxal: a festa que nasceu do forró abre espaço para outros estilos, mas fecha as portas para quem carrega a tradição.
Essa prática tem sido vista por músicos e defensores da cultura popular como um processo de apagamento. Estão, pouco a pouco, enterrando o nosso forró — que, apesar das dificuldades, resiste. Resiste nos pequenos arraiás, nas escolas, nas comunidades, e na força de quem insiste em manter viva a sanfona, o triângulo e a zabumba.
Por Joaquim Casaca de Couro (DRT – 3080/SE)